O grande crescimento das redes de comunicação de dados por tecnologia
sem fio (wireless), como Wi-Fi, WiMax, OFDM e Bluetooth, tem causado
alguma preocupação entre as autoridades de saúde em todo o mundo.
Algumas perguntas são colocadas de imediato:
• Estaria realmente
aumentando, no ambiente urbano, a intensidade média dos campos
eletromagnéticos na faixa das radiofreqüências usadas em telecomunicação
(900 MHz a 10 GHz)?
• Esses campos possuem potência suficiente para provocar algum tipo de dano biológico?
• A exposição contínua, a curta distância, às emissões de campos de radiofreqüência pode representar um risco à saúde? Qual?
•
Existem situações especiais, como escolas e hospitais, em que não se
recomenda colocar pontos de acesso sem fio, antenas onidirecionais ou
direcionais, etc?
Caso essas respostas sejam todas positivas,
corremos o risco de estar vivendo um experimento de larga escala, no
qual centenas de milhões de pessoas estão expostas. Os resultados
danosos poderiam ser catastróficos, principalmente em longo prazo.
Radiação não-ionizante
Felizmente,
parece não haver motivos para preocupação, dizem os cientistas da
Organização Mundial da Saúde (OMS). Este órgão multilateral da ONU
montou há alguns anos um grupo de especialistas para investigar os
resultados da literatura científica e médica a respeito dos efeitos de
campos eletromagnéticos não-ionizantes sobre a biologia e a saúde.
O
tipo de radiação utilizada em radiocomunicação (incluindo o rádio e a
televisão, que existem há muito tempo) é do tipo não-ionizante. O que
significa isso? Ao contrário da radiatividade, dos raios gama, dos
raios-x e de alguns tipos de raios ultravioleta, as microondas e ondas
de rádio não possuem energia suficiente para quebrar ligações
moleculares. Quando isso acontece, elétrons são arrancados pela energia
da radiação incidente e formam-se íons, cujo acúmulo pode ser nocivo
para as células e tecidos orgânicos, levando à morte celular e à
mutação. Em casos de exposição longa e intensa aos raios ionizantes,
pode surgir até mesmo o câncer, como aconteceu com os sobreviventes das
bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki e com os moradores próximos a
Chernobyl, entre outros exemplos.
O único efeito plenamente
demonstrado das radiações não-ionizantes (RNI) é o aquecimento da
matéria, por rotação e agitação de moléculas bipolares. É este, aliás, o
princípio por trás do forno de microondas. E o calor pode realmente
causar danos biológicos consideráveis, se for de uma certa energia.
Baixa potência
Nos
dispositivos usados para telecomunicação, em geral a potência utilizada
é muito baixa. Por exemplo, uma antena de uma estação radiobase típica
de telefonia celular irradia entre 20 W a 100 W. A antena do telefone
celular GSM irradia menos do que 1 W. Um ponto de acesso Wi-Fi fica
entre 30 mW e 200 mW. Ou seja, é muito pouco para provocar qualquer
efeito térmico significativo. Um fator extremamente importante é que, à
medida que uma pessoa se afasta de uma antena, a intensidade cai de
maneira muito rápida. A alguns metros de uma antena de Wi-Fi, por
exemplo, a intensidade é de apenas um milésimo da original. A 20 ou 30
metros, a radiação é tão pequena que somente instrumentos muito pequenos
são capazes de detectá-la.
Além disso, quanto menor o alcance da
antena, menor é a potência de irradiação utilizada. Por exemplo, pontos
de acesso Wi-Fi domésticos são projetados para um raio de cerca de 60 a
70 metros. Um dispositivo Bluetooth alcança no máximo um par de metros
de distância. Uma estação radiobase de telefonia celular alcança algumas
centenas de metros a no máximo a uns 2 km. Um estudo francês, que
monitorou 24 horas por dia, através de um sensor portátil, os campos de
radiofreqüência a que estavam submetidos voluntários no seu cotidiano,
detectou que as freqüências de 900 MHz a 6 GHz (usados na telefonia
celular - GSM, CDMA, TDMA - e nas redes Wi-Fi, OFDM e WiMax) representam
menos de 2% de toda a potência recebida ao longo do dia. As rádios FM e
os canais de TV em UHF e VHF são as que mais contribuem, com cerca de
10% a 20%.
A maior surpresa (mas não tanto) é que cerca de 70% dos
campos de radiofreqüência que recebemos são oriundos de fontes
naturais, como o sol, os planetas, os corpos aquecidos de qualquer
natureza, etc. Com isso, é absolutamente irrelevante a contribuição
total de densidade de potência de radiofreqüência dos sistemas de
comunicação sem fio.
A densidade de potência média também não
parece estar aumentando. Ela é muito pequena, pois os sinais de rádio
das múltiplas fontes e freqüências interferem uns com os outros, pois
não são sincronizados.
No caso das antenas direcionais, como as
parabólicas, embora elas tenham uma intensidade maior que os outros
tipos de antenas, o dano biológico provável é também muito pequeno, pois
geralmente elas são colocadas em pontos muito altos, fora do trânsito
normal de pessoas. Os feixes emitidos abrangem um espaço bem restrito.
Os únicos que devem se preocupar com elas são os trabalhadores que fazem
montagens e manutenção em grande proximidade, mas a forma de evitar
possíveis danos é simples: basta desligar o equipamento quando estas
atividades forem realizadas.
Limites de segurança
Depois
de 50 anos de pesquisas e mais de 20 mil trabalhos publicados, a
conclusão do grupo da OMS é clara: não existem efeitos sistemáticos
comprovados pela radiação não-ionizante (RNI) sobre a saúde humana,
desde que os sistemas respeitem determinados limites máximos de
exposição (em biologia, tudo em excesso pode fazer mal, até água; então,
as exposições a agentes físicos e químicos devem ser limitadas).
Nesse
sentido, nos anos 70 formou-se um comitê científico independente,
chamado ICNIRP (International Committee for Non-Ionizing Radiation
Protection, ou Comitê Internacional para a Proteção de Radiações
Não-Ionizantes). Esse comitê determinou, em versões sucessivas, quais
são os níveis de RNI do espectro eletromagnético, para cada faixa de
freqüência, que provocam o aquecimento de 1 grau Celsius em um volume
determinado de matéria. Em seguida, dividiram esse valor por 50 e
propuseram os valores limites de segurança que não devem ser
ultrapassados.
Atualmente, todos os equipamentos de
radiofreqüência respeitam esses limites, dos handsets de telefonia
celular às placas de Wi-Fi de laptops, das grandes antenas de rádio e TV
às pequenas microcélulas da telefonia celular. O Brasil, através de
normas legais da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), adotou
os padrões ICNIRP, e os fabricantes e operadoras são obrigados a
respeitá-los para homologar seus equipamentos e sistemas.
Conclusões
Os
prefeitos e secretários de saúde e de meio ambiente das comunidades que
estão querendo implementar redes sem fio para projetos de Cidade
Digital podem ficar tranqüilos quanto a um potencial risco de saúde para
a população. As densidades de potência das antenas onidirecionais e a
direcionalidade das antenas parabólicas excluem a probabilidade de
interações danosas com organismos vivos, mesmo em longo prazo.
Um
estudo dinamarquês, que acompanhou mais de 400 mil usuários de telefones
celulares por até 20 anos, demonstrou risco zero de câncer. E os
estudos de revisão feitos por um grande número de órgãos nacionais e
internacionais envolvidos com a proteção à radiação concluíram
unanimemente que não existem motivos para temer riscos à saúde dessas
radiações não-ionizantes, desde que sejam respeitados os limites de
segurança.
Fonte:
http://www.guiadascidadesdigitais.com.br/site/pagina/redes-wireless-existe-algum-perigo-para-a-sade